sistema de sinalização turistica

Sistema de sinalização turística – a importância da sinalização turística para o desenvolvimento sustentável do Turismo

23/8/2004 – Janaina Britto

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INTRODUÇÃO

Por ocasião da apresentação da dissertação de mestrado, em junho de 2001, pesquisou-se a existência de diretórios, sistemas e repertórios de sinalização turística, oficiais e não-oficiais, de forma a se analisar qual conjunto norteava a sinalização turística brasileira e quais eram seus referenciais.

Chegou-se à consideração que os principais referenciais de sinalização, turística e não-turística, são os diretórios internacionais, especificamente os do Instituto Americano de Artes Gráficas – AIGA e o do estudioso japonês Kuwayama, que referenciam vários sistemas de sinalização no mundo e, especialmente no Brasil, fornecem subsídios a alguns sistemas nacionais oficiais, tais como o do Conselho Nacional de Trânsito – CONTRAN, e do Instituto Brasileiro de Turismo – EMBRATUR..

Na ocasião, considerou-se que a pesquisa tinha sua importância baseada em 3 justificativas. Primeiramente, os estudos e pesquisas de caráter científico sobre o tema eram escassos, assim como a bibliografia de referência, tanto no Brasil e mesmo no Exterior. Por outro lado, até o .momento não se tinha encontrado – e ainda atualmente – nenhuma produção científica no Brasil sobre sinalização turística , confirmando, assim, o ineditismo e originalidade da pesquisa.

Em segundo lugar, o receptivo oferecido aos turistas visitantes dos mais variados países, em relação à comunicação e informação a esses, envolve um aspecto que não tem sido tratado com relevância até o momento, mas de fundamental importância no processo de comunicação com os turistas: a comunicação inteligível e compreensível que se traduza em receptividade, qualidade e segurança. A sinalização apresentada nas destinações turísticas, principalmente aquelas de maior fluxo turístico, é precária, confusa e praticamente inexistente, mesclada a anúncios, “banners” promocionais e sinalizações de outras naturezas.

Finalmente

, depara-se com publicações nacionais tais como: “Estudo da Demanda Turística Internacional”, realizadas desde 1996 até a mais recente publicação em 2002, do Instituto Brasileiro de Turismo – EMBRATUR que, apresentando os resultados de suas pesquisas anuais sobre Turismo Emissivo e Receptivo Internacional, permanecem apontando a Sinalização Turística no Brasil como um dos itens mais criticados pelos turistas internacionais. A classificação dos pictogramas de sinalização, apresentada por esse Instituto ainda é frágil, a despeito de sua nova publicação, em dezembro de 2001, denominada de “Guia Brasileiro de Sinalização Turística”, que insere mais 43 pictogramas para uso de sinalização turística destinada ao patrimônio histórico-cultural.

Em contrapartida, a Comunicação, dentro do enfoque do turismo, pode ser entendida como a mola mestra do processo. Sem a informação e a mensagem, não haveriam condições de se promover, de forma a garantir a sustentabilidade, qualquer produto, equipamento ou serviço turístico, posto que são as relações humanas que permeiam as relações econômicas, sociais, histórico-culturais e ambientais do turismo.

Assim, mais do que comunicar algo, dentro do universo do turismo, é necessário informar o mercado, com segurança e qualidade, não somente sobre esses produtos, equipamentos e serviços, mas, principalmente, como e quando utilizá-los. É, portanto, através da sinalização turística, que os visitantes podem se deslocar, se acomodar, se alimentar e apresentar comportamentos relativos a determinadas situações, garantindo a sustentabilidade dos meios.ambientes naturais, sócio-culturais e temáticos.

2 A SUSTENTABILIDADE DO TURISMO

O conceito de sustentabilidade está ligado a três fatos importantes: qualidade, continuidade e equilíbrio. De uma maneira ou de outra o turismo sustentável é definido como modelo de desenvolvimento econômico projetado para:

. Melhorar a qualidade de vida da população local, das pessoas que vivem e trabalham no local turístico.

·Prover experiência de melhor qualidade para o visitante.

· Manter a qualidade do meio ambiente da qual depende a população local e os visitantes.

· A efetivação do aumento dos níveis de rentabilidade econômica da atividade turística para os residentes locais.

· Assegurar a obtenção de lucros pelos empresários turísticos. Em suma, o negócio turístico terá de ser rentável, caso contrário, os empresários esquecerão o compromisso de sustentabilidade e o equilíbrio será alterado.

Da mesma forma, o Turismo pode trazer determinados prejuízos quando não desenvolvido de maneira sustentável:

 degradação e destruição dos recursos naturais;

·perda da autenticidade da cultural local;

·descrição estereotipada e falsa do turista e do país ou região de que procede, por falta de informação adequada;

· ausência de perspectivas para aqueles grupos da população local das áreas de destinação turística, que não obtêm benefícios diretos das visitas dos turistas ou do próprio Sistema de Turismo da localidade;

· aparecimento de fenômenos de disfunção social na família, anormalidades no processo de socialização, desintegração da comunidade;

· dependência do capital estrangeiro ou de estereótipos existentes em face do Turismo.

Portanto, o processo de desenvolvimento turístico sustentável é a conjunção de três fatores que se inter-relacionam de forma dinâmica, com o objetivo de conseguir um equilíbrio final: a sustentabilidade do sistema turístico. Esses fatores são:

Sustentabilidade econômica: Assegura um crescimento turístico eficiente; o emprego e os níveis satisfatórios de renda, junto com um controle sobre os custos e benefícios dos recursos, que garante a continuidade para as gerações futuras (OMT, 2001).Sustentabilidade ecológica: Assegura que o desenvolvimento turístico é compatível com a manutenção dos processos biológicos (OMT, 2001)..

Sustentabilidade sociocultural: Garante o desenvolvimento turístico compatível com a cultura e os valores das populações locais, preservando a identidade da comunidade(OMT, 2001).

 

3 SINALIZAÇÃO TURÍSTICA E SUSTENTABILIDADE

Para o turismo o pictograma se apresenta como forma de comunicação e informação necessárias à atividade turística sustentável que, permeando a infra-estrutura urbana ou rural existente, estará então, sujeita às condições de sinalização destas, e igualmente demandará uma sinalização própria em relação aos equipamentos, serviços e atrativos turísticos.

O visitante deverá contar com uma sinalização tal, que lhe forneça todas as informações necessárias para garantir sua comodidade, segurança e satisfação. por um lado e a correta postura e adequado comportamento frente à necessidade de conservação do ambiente explorado. O turista, no entanto, é diferenciado em seus conhecimentos e gostos e em suas tradições e cultura. Conclui-se que não será qualquer sistema de sinalização que atenderá a tal diversificação.Mário Beni afirma que:

 “a satisfação que o turista procura através do consumo de bens e serviços turísticos passa pela aquisição de experiências muito diversificadas, encontradas no consumo de diferentes componentes do produto – a ‘função utilidade’, segundo a linguagem econômica convencional”.(2001)

Alguns sinais já são mundialmente conhecidos, mas a maior parte deles precisa ser aprendido e assimilado. Esse é o maior desafio da Comunicação Visual, principalmente se direcionada à sustentabilidade do turismo, já que nem todos os pictogramas podem ser idealizados universalmente na medida em que reproduzem, espontaneamente, a criatividade e a cultura de cada região.

Por outro lado, a padronização é necessária a fim de que se estabeleça a comunicação entre emissor e receptor. E esta se mostrou possível apenas, a partir do conhecimento prévio de seus sinais. conseguido através da repetição do uso de sistemas de sinalização. No entanto, tal processo demanda tempo e, por conseguinte, a necessidade de que o aprendizado de procedimentos sinaléticos fosse uma constante na vida de cada ser humano, assim como o é, a simbologia lingüística, o que, infelizmente, não é fato. As informações ainda não são bem compreendidas. Os profissionais do turismo e das comunicações precisam, urgentemente, criar um fórum aberto de discussões, de forma a buscarem a padronização necessária ao perfeito desenvolvimento do receptivo turístico e a qualidade objetivada na maioria dos projetos de desenvolvimento turístico.

4 O SISTUR E A SINALIZAÇÃO TURÍSTICA

O Turismo apresenta-se como um sistema, isto é, como um conjunto de elementos que estabelecem conexões interdependentes entre si de caráter funcional e espacial como sejam as zonas de proveniência de visitantes (núcleos emissores), as zonas de destino (núcleos receptores), as rotas de trânsito e todas as atividades que produzem os bens e serviços turísticos (atividade turística)Este conjunto é constituído por agregados ou subsistemas que, por sua vez, se decompõem em vários elementos interdependentes e que formam as estruturas internas do sistema. Um desses subsistemas é apontado como os núcleos emissores de demanda turística, formada pelos fluxos de pessoas que saem, temporariamente, de seu local de residência para outros locais. Estes fluxos turísticos são constituídos por indivíduos, famílias e grupos de pessoas que, nos seus deslocamentos, são influenciadas por fatores de várias ordens: rendimentos, condições de vida, tempo livre, nível cultural, etc.Da mesma maneira, nas regiões que visitam (receptoras) se estabelecem conexões e relações profundas, pela utilização, por parte dos turistas, de transportes, estabelecimentos hoteleiros ou restaurantes. Tal utilização deverá ser influenciada pela comunicação, informação e sinalização turísticas a fim de prover e garantir melhores relações com as populações das regiões que os recebem, minimizando impactos de natureza natural, sociocultural e econômica. Daqui resulta que o funcionamento equilibrado do sistema turístico obriga a que todos os seus componentes funcionem harmonicamente.Muitas vezes a importância dada a alguns elementos do turismo, tais como o alojamento, os transportes ou a promoção, o que é compreensível pela sua relevância na atividade turística e pela influência que exercem na opinião pública, tende a secundarizar outros elementos, conduzindo a uma errada ou incompleta identificação dos componentes que melhor podem fazer funcionar o sistema.Conforme Beni (2001), nesta perspectiva, o estudo e a avaliação do turismo implicam, por um lado, a análise da competitividade das empresas, do ambiente, do mercado, dos resultados, das ligações com instituições, do consumidor e das suas relações com os produtores e, por outro, a análise do ponto de vista macro, ou seja, o exame do turismo como conjunto de atividades de um país ou de uma região e as relações com outros sistemas tais como o político, econômico e social, onde o sistema de sinalização estará, fatalmente, inserido.

simone peres

 

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